Arquivo do mês: novembro 2009

Genomateria

É cativante ser escroto
E é cult ir pra lama
É bonito ser sujo
E o babaca é tão louvável…

Não é brilhante
O modo como a humanidade leva a história?

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1,2,3,4…

Acho que a essa altura já teria dado tempo de provar alguma coisa
E só provei a mim mesmo que não preciso afirmar coisa nenhuma
Nem ser coisa nenhuma

Provei a mim mesmo que tenho limites
Que não devo ultrapassá-los
E sim usá-los a meu favor

A mão direita segura um marlboro
Escreve qualquer coisa no computador
A esquerda afasta a taça de vinho
E puxa o copo d´água

Como esperei por esse dia

O ritmo da música que toca é incapaz de oscilar neste momento
Sinto o peso da sobriedade mas sei
Que as duas pequenas lágrimas que escorrem pelo meu rosto
Não tem sabor de tristeza

Vejo, nos sulcos da realidade
Que o jeito imbecil com o qual somos idiotas
Na verdade faz parte da beleza da vida
Tal qual uma comédia pastelão

A roda do tempo implacável não cessa nunca
E devo dizer que esta nova adrenalina me conquista um pouco
O metrônomo dentro de mim parece empolgado

E num curto

Volta seu marcar insaciável


Entulho

Olá dia infame de luzes bruscas
Me assalta destas cobertas as quais molho de suor todo o verão
Tira de mim todo o pó da madrugada
E me lança aos afazeres da tua enorme máquina

Interpreto o homem de bem
Enquanto disfarço a palidez com os desenhos sobre o corpo
O sangue das gengivas com o sorriso fechado
O peso da vida nos olhos com duas lentes escuras

Olá dia faminto de calor opressivo
Quer um pedaço de mim?
Na anti-praticidade de todo o meu descaminhar
Quantas destas tarefas idiotas ainda terei de realizar?

Há uma assombração no meu armário
De nome: “Apatia”
Que pode me dar força
E me tirar os sonhos

Sonhos malditos que nem sei mais porque ainda os quero
Podia dar às mãos a indiferença e assassinar meu ego improdutivo

Primeiro um cigarro,
Depois só preciso de uma pá bem grande


Gargalhada Bipolar

A valsa da conquista se torna o samba da desilusão
Apesar de assim o previsível adotar uma estética mais agradável
O produto da reação é sempre decepcionante
Principalmente quando o agente catalisador está fora de nosso controle

Noites de silêncio ensurdecedor
Dias de estúpida claridade
O verão nem começou direito e minha alma noturna já agoniza

Conheço este grito bem, não mais o ignoro
E o grito que o maníaco dá quando nasce todo ano
Ao mesmo tempo em que o depressivo morre

Pode vir

Te esperei por todo o inverno…


Do partir

Eu nunca mereci aquelas lágrimas, mas foi bonito o seu:”Obrigada”
No final das contas, a sinceridade era o melhor presente
Ela vai viver
Crescer
E um dia rir de tudo isso
Ao menos é o que espero que ela faça
Depois fui logo me enfiar numa festa qualquer
Carregado de um sentimento altivo
Quando as balas todas voaram
Me servi de uma
Há muito não tinha uma onda leve
Estava feliz por estar livre
Ainda estou
E daqui há pouco
Estarei me lançando naquelas loucas investidas contra a solidão
Dei o primeiro de muitos passos para a minha reprogramação
Estou orgulhoso
E um pouco amendrotando
Bem menos que antes
É fato
Bem menos…


Saigon

Sim a carapuça me serve
E de repente sou o protagonista de uma canção que fiz para outra pessoa
Fragmentado, para não dizer estripado

Lamentável todo este desamor

O lençol tem marcas de sangue
De diferentes tipos e datas
Um nariz na fronha
Um cotovelo um pouco abaixo
Um braço no meio
E uma menstruação qualquer na borda

As roupas sujas à beira fazem a trincheira
Meu precioso bunker
Bombardeado
Devia ter morrido

Cinzas por todos os lados
Ninguém duvidaria que aqui houve uma guerra
Só que ao invés de corpos
Temos lixo de vários fantasmas

Paguei doze reais de entrada
Para ter vários dedos na minha cara
E quando o amigo deferiu o tapa
Foi quase redentor

Hora de ir pra casa
As pessoas e eu
Todos perdemos a graça
Não há mais o que salve
O que não parece querer ser salvo

Me encolhi fetal no sofá da sala
O seu sofá
Já que não há mais Sofás
E senti em sua voz um pouco do colo que precisava

Mas colos não vão mais resolver nada
Nem dinheiro
Nem atitude
Nem essa coisa que me falta

Sinto tanto essa falta
De nem sei mais o quê…


Bandeira

Do que me serve o berço esplêndido?
Se a loucura me atirou à tantos espinhos
Se o ópio da esperança
Junto ao éter da memória
Me prescrevem uma receita duvidosa

Pra que olhar tão charmoso
Portar elegante
E falar tão bonito?

Se o em volta é jocoso
Por demais arrogante
E quase inverossímil

Já que vivemos essa verdade ilusória
Desde o esplêndido berço no qual despertamos
Do qual nos livramos
Inconsequentes


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