Arquivo do mês: fevereiro 2010

Super Homem

Queria ter o corpo e quem sabe o charme do Edward Norton
Sou mais bonito e mais paspalho
Queria fumar como Bruce Willis, entrar como Brad Pit
Cantar com o tesão do Tom York
A loucura da Björk
Com o sarcasmo de Cazuza

Na caneta as incisões de Renato Russo e a sutura de Chico Buarque
Abandonar Roger Moore e adotar uma postura mais Sean Connery

Que belo Frankeinstein eu daria
Se a feminilidade de David Bowie eu tivesse

Com a disposição terapêutica e suicida de Kurt Cobain
Me sobraria a malandragem de Charles?
Anjo 45 travestido de Priscilla num filme do Tarantino
Já fui meu super-homem antes dessa tentativa frustrada de Charada

Mas me faltam kilos à menos
Determinação heróica talvez
Autoafirmação plausível, objetivo
Heroísmo
Algo com braços, garras e dentes

Olhar e estilo, afinal de contas,
Armas femininas, porque não aplicá-las de volta?
Depois da imagem há de existir um conteúdo, forma e recheio, completo
Muro na palavra, anti-auto-sabotagem na razão de ser,
Murro no ao redor

Você tem algo à dizer, berra!
Grita e canta,
Canta que não vive de outra coisa
Canta pois és escravo de tua própria melodia

Que é teu inferno,
Teu eterno
E lhe é fiel

*texto retirado de um diário – Fevereiro de 2004

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Martha´s George

Snap!

A retórica deste homem transparece toda a confusão gerada por um desafio sentimental em contraste com um grande número de informação aliado a um vocabulário sagaz, para não dizer corrosivo.
Chocante mesmo é notar que sua vingança infantilóide quase inconsciente, porém, deveras nociva, é mero reflexo da vontade descabida de seu objeto de desejo em puní-lo por amá-la.

Aonde eu já vi esse filme?

Como um coquetel flamejante (molotov se adequaria melhor), a paixão abissal deste casal acaba por dragá-los num dia-a-dia de respeito desregrado, etílico e esquizofrênico que ao contrário do que se poderia esperar aumenta ainda mais a chama matrimonial.

“Let´s play Peel The Label and then Get The Guests!”

Ao final de tudo os indivíduos de tão fragmentados só podem chamar a união daqueles cacos (o todo) de “tudo” ou mesmo num tom mais altivo (para não dizer corajoso) de “nós”.
O Romance de George e Martha se torna tão doentio que pode até ser classificado como uma grande história de amor.

“_You´re all crazy. Nuts!
_Nah! It´s the refuge we take when the unreality of the world sits too heavy on our tiny heads. Relax! Sink into it. You´re no better than anybody else!”

(George Segal e Elizabeth Taylor em trecho do filme “Who´s Afraid of Virginia Woolf?”)

E eu que uma vez já não fui fã dos P&B da velha hollywood
Me vejo rendido na sensação de compreender que o que me move é também minha ruína
E de saber finalmente o nome da saudade


Fausto

Um toque às três da manhã
Junto a um trago cubano
Fez com que corresse para casa
E abrisse um “Punto Final”

E neste porre de 90 pontos na escala Parker
Junto ao presente que é o Cohiba que me acompanha
Sinto que meu peito cresce cabelos
Nesta ilusão juvenil do amadurescer

Apenas mereço e devo sorrir
À mulher que a menina gostosa ao meu lado será
À iluminescência que é com tão pouca idade
Reconhecer tais nuances terciárias no palato

Apenas devo me curvar em adoração
À graça do talento para a tragicomédia
Ao entender Dizzy, Herbie, Ellington, Mingus
Confusão, lógica, arte, paixão

Obrigado
por todo o simbolismo confuso

Por preferir pirar
à funcionar

Ao menos por enquanto

E ainda…


Nível Superior

As pernas se levantaram à quarta-feira de cinzas
E minhas artérias bombeavam sangue limpo embaixo da pele vermelha
Talvez o sol me houvesse curado
Já que o corpo e o sorriso dela
Ganhavam algum tom poético pela primeira vez
O Carnaval enfim, funcionou contraditório
Controlando os meus excessos
De pé
Sei que em algum lugar
Frank, o coelho
Fez um bom trabalho


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Royal Straight Flush

Arcano isolado
Desprovido de buscas
Desertor de sua jornada

Destituído
Suspenso
Aguarda

Sinais do acaso
Que soem como destino
Neste lugar
Onde o “não há” impera

O uivo da espera
É sua companhia
Já que é carta
E não jogo

Clama ao jogador
A liberdade de sua manga
Apenas por ser simplesmente
O resto de fantasia infantil na idade adulta

Sem ser corrompida
Em religiosidade


Oi, de novo…

É…
Não é?
Assim que a gente funciona…
E não tem muito jeito de ser outra coisa.
O Tempo parece um deus alcoólatra
E as chances ninfas idiotas do não ser
Foda-se hoje se diz: “…demorou…”
Caixada seca
Velho para tudo isso!


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