Arquivo do mês: abril 2010

“…like destroying something beautiful.”

O rasgo imaturo
De um sonho apertado
A sua dependência
E meu descaso

Agora sabe tudo
Do meu animal guardado
A cor do sangue escuro
E seu amargo

Me diverti na crueldade
Que nunca antes havia me feito parte
Almocei seu desejo
E jantei sua dignidade

E agora entregue às lágrimas que provoquei
Ainda tenho minha própria indiferença sádica
Como sobremesa

O único pensamento que incomoda
É pelo desconforto gerado
Pela idéia de que causei dor
E sou incapaz de ter qualquer tipo de compaixão

(Ao menos não é pena)

Acho bonito esse amor incondicional no fundo dos teus olhos
E como ele é forte o suficiente para perdoar qualquer horror
Gostava quando assim carregava um também
No outro que fui
Incapaz de fazer sofrer

Queria correspondê-lo
Queria dizer: “Tudo bem”
Mas não há bem

Para ninguém

Há só a realidade ácida da entrega de um vazio estúpido
E mentiras bonitas geradoras de ilusão

Nada

Nem perdão

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Engenhando

O muito que tens à fazer
O tanto que é tenso o pensar
O como que é fato em agir
O cheio que é ter que sentir

O verdadeiro que é sentir que não tem
O belo que é não precisar de querer
O altivo que é ter que saber
O preciso que é saber o que ter

A mecânica dos céus gira intensa
E agora é como se eu pudesse vê-la novamente
O mundo como uma grande máquina
De pequenas rodas-dentadas reluzentes

Engrenagem definitiva

Que sinto novamente saber operar


Do Próprio Veneno

A discordância teria nascido de qualquer frase atravessada, não era o que ele dizia e sim a somatória de cada partícula histórica, daquele micro-cosmo absurdo que ela chamava de: “nós dois”.
Aí eu entendi,
Todo o furor de tal gentileza nova, teria sido pago com afeto.
O desarme frente tanta capacidade dentro de inúmeras possibilidades, a teria feito de fato potente.

Mas a tonicidade dos objetivos escapava o campo harmônico.
O que a tornou vaga, oprimida e distante.
O que o tornou desatento e desconfortável.

Não diga que eu não avisei.


Do Desejo

Troco barato a alma
Por um futuro irrelevante (macro)
E uma vida satisfatória (micro)

Que me dê um pacote de cigarros
Um creme hidratante
E alguns sorrisos fadigados ao fim do dia

Que encha de temores minha alegria
E festeje obssessivo o dia-a-dia

E aí quem sabe
Possa até “ter a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida…”


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