Arquivo do mês: agosto 2010

Radioativo

Raspei o tacho
Me deliciando nas sobras
Sorvendo o néctar do resto
Afoito lambendo a rebarba

O pouquinho em cada ponta de cada dedo
Tinha um sabor diferente
Talvez venha do meu sofrer circence
Tal sentimento sinestésico

Da imagem minimalista
O som de graves retumbantes
O gosto degenerado
De textura flexível

Ah meu coração variante!
E minha idoneidade variável

A risada que escutei
Não foi minha nem sua desta vez

Eis que acorda o pequeno demônio
Carente por atenção

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Elogio

Vai saber se ela sonha em cores
Se alguma delas alguma vez sonhou

Vai saber se ela sonha em vermelho
Outras eu sei que sim

Sabendo das noites
Da pele mais libertária
Do sorriso mais espremido
E largo

“Born to run, baby run, like a stream down a mountainside.”

A sensação covarde do amadurecimento
Não me cabe ainda como combustível

E sobrevivo

Pois sei fazê-lo

Vai saber onde mesmo acertei
Na loteria energética das boas previsões

Ou forte com a testa em alguma coisa


Cuidado Com o Degrau

Tomo água da pia
O sono cinético
À cena me guia
Um sonho cinéfilo
Em narcolepsia


Ode aos Trilhos

No meio de todo o cinza
O foragido se esconde
De seu coração rígido
Cansado de maltratar

Afogado no concreto
Engatinhando em conhecimento novo
Ao embotamento do trabalho
O louco amadurece o caminho

Sente no fundo do peito
Que seu novo lar
Sempre foi sua velha casa
Em toda a excentricidade de tal colo

Misturado na multidão
Suas chances são as mesmas
Apenas em pleno anonimato
Se conquista algo verdadeiramente

Na sina do ser humano
Este também se adapta
Sua língua abre
Sua roupa esgarça

Tornando o poema em canção
Pois apenas o inverno tenebroso
Amolecerá de novo
Tal coração


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