Arquivo do mês: agosto 2011

Do Par de Botas

Ver seu rosto amolece meu coração

Mesmo sem querer te perder
Sei que teu de verdade nunca fui
e algum tipo de possessão subvertida em comodidade
tem arrastado nossos limites

Não é justo
e há quem diga – cármico

Posso pagar por isso num futuro próximo
então que seja agora
sentindo a falta tua
que havia me prometido
no alto mais orgulhoso do meu ego

não sentir

Há um remorso qualquer
em não ter sido capaz de expandir o sentimento
da maneira que tantas vezes fiz
com pessoas (entre umas e outras)
menos merecedoras da minha abertura de portos

Deveria ter lhe guardado algum azul

nada restou

Mas não há fenda de amor
que resista a um longo e vívido verão,
quando é possível se embriagar de gente
e afogar-se no esquecimento suado de dias e noites emendados

Isto também,
todos são dignos de aprender
à qualquer momento da vida

É que a paixão já é calo
e o importante e sagrado
mais nada tem com o amor

Mesmo na alinhavada pobre
de tal discurso barato
se escondem fatos irrefutáveis
e verdades polivalentes

No rufar da marcha certa
só importa de verdade
o quanto dura um par de botas

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Entretendo

Sono sábio a molestar músculos obssessivos
que não cessam seu contrair e relaxar
Atravessa a prisão das sinapses
e projeta para o coração ver

Todo este trabalho árduo

O desamor mais uma vez mostra seus benefícios
Na medida em que ilustra
a produtividade sadia de um homem
sem nada a perder

Todo este tempo escasso

Olhos inchados como sacolas paraguaias
Dedos cortados e cauterizados de coquetéis para a classe média
Um pouco surdo de um ouvido mas…
…tudo bem

Todo meu falso martírio

Custa sessenta reais sair
Custo sessenta reais ali
Troca justa?
Pode ser

Toda esta minha fortuna

Festejem
Refestelem-se almas do caos
Eu, senhor do ópio e das canções
Vos ordeno!

Toda esta minha pretensão


Jornada Dupla

A madrugada converte força em cifras

…e cifrões
Ao peso nos joelhos

Como nos velhos tempos

à cada manhã há novamente o cigarro da vitória
no caminho para o ponto de ônibus

Nesta mesma luz,
o noturno – travestido de burocrata – caminha

A quem quero enganar…
…com este “blip” do cartão às oito e meia da manhã?

Mais uma vez o frio lunar dá colo ao demônio interno
e o convida de volta para casa

“Não há brilhar como o do nosso luar”

Repito enquanto bato meu converse de rubi
Dando um ganho de +3db na noite

24p/dia – 7 p/ 7

Agenda lotada, cifrões e cifras
aliviando a sinfonia do trânsito vespertino

O corpo aguenta, como aguentara há 10 anos atrás

Calmo e realizado
Retomo o gosto pelo suor dignificante
Assobiando qualquer sax pela avenida

Adornado pelo walkman matutino

Encerrando o turno da noite
Iniciando o da manhã

Lembrando que tem sono…

…quem pode.


Relacionário

Não compreendo

Nada o que diz

E se dizemos as mesmas coisas
Não me adiciona, nem me confunde

Nada o que diz

Não é idade
Nem é distância

Nada o que diz

viverémuitomaisquecompletarqualquercicloimpostocoletivoouindividual(ambosculturaisdequalquermaneira)viveréindefiníveléjustoaprópriabuscadenossasdefiniçõesmaisintímas

pessoais

intranferíveis

Nada o que diz

Pode me soar correto mais

Agora que me provou que tenho uma noção inversa do correto
e te mostrei que tal coisa como correto ou impróprio não há

Garota,

ser humano é relativo!


Gravat-o-Goblin

Sem precisar contar, me mostrou
A fantasia que já nem mais agonizava
Impalada por razão cega
Olhos brancos sem vida
Esboçavam ainda a tristeza final

Sem precisar chocar, colocou para fora
A tonelada de ressentimento subvertido em moral
Repetiu frases duras de seu pai
Sem ao menos refletir qual o sentido
Sem espaço para uma fuga sentimental qualquer

Amigo,

Para quê esganar o aleatório?

O que dentro de ti morreu de maneira tão violenta,
para que desprezasse tanto os presentes do caos?

Para quê fundir espontaneidade em suicídio?

Não te peço para entrar na ciranda das ninfas
Muito menos na orgia das devas
Mas deixar a pasta de lado quando o sábado chegar

Chama a esposa prum cinema porra! Leva a família pra jantar!

peloamordesipróprio

!


Do Sorriso Discreto

(Risos discretos durante o trabalho)

Tua nostalgia me pegou de relance neste dia de calor
Ao descrever das fotos fui jogado em algumas cenas
Uma praia, gargalhadas, a matilha onipresente de amigos…

Interessante foi notar
que as boas lembranças são as mais nítidas,
coloridas e brilhantes

De verdade
como gostaríamos que sedimentassem
no momento em que as vivemos

Das agradáveis e desagradáveis (mais risos discretos) águas salgadas
De um deck raso que fez do sangue comédia numa manhã de reveillon
De um Rio de Janeiro diferente daquele que você conhecia

À infinidade de festas, beijos,
carros que viram noites,
noites virando manhãs
e dias atravessando cidades.

O rock ´n roll gelado sulista
Acompanhado de boa cerveja e finos frios
Jaquetas estilosas.

Um filme e…

(mais risos um pouco menos discretos desta vez)

fotos e
fotos e
fotos e
mais fotos

Hidro-sparkling-massagem-champagne

O poder de um cartão de crédito ilimitado
Com a falta de juízo junkie-juvenil
os amigos, as balas, tudo, todos
espalhados pelo chão

Pintando as paredes
Rabiscando uns aos outros
Sem vergonhas
Sem roupas

O fino da bossa carioca
Com todo o edonismo mineiro

“A wild ride indeed!”

Todo o resto não esqueço
pois aprendi muito com ele

Apenas me parece preto e branco
perto da vividez brilhosa das melhores lembranças

Lembro sempre do que quis pra ti

Tudo há de dar certo!


Walking About

Asfalto serotonizado me impregna de primavera
às lamúrias terminais deste inverno
Deixo o mofo pouco e saio frouxo, bermudado
ao slap displicente que no chão fazem os chinelos

A foto bate o branco em meu sorriso
e meu bom-humor encouraçado contagia a vida/filme
A trilha que joguei hoje na orelha
com o passo ao som do baixo – esteirinha e pizzicato

1,

2,

3,

4…


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