Arquivo do mês: setembro 2011

Cigarra Que Sou

O demônio interno ri com mãos entrelaçadas às costelas

“Eu te disse, eu te disse!”

Só estava esperando

A brecha básica de um novo noite-a-noite

Adeus diurnos da TV

Olá loucura dos que pensam tortos e pouco

Sempre há de pintar por aí

Qualquer falta de senso

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Das Antigas

*** Do Mudar da Pele

23/10/08

ISSO QUE FOI DADO DAQUILO

Junto à brisa ansiosa, o cheiro verde de nova era.
Um eu novo saltita às rimpas de Fermim Calcério
Arrumei a casa, toda e cada gaveta que ocupa este território urbano qual imposto vem em meu nome.
Tenho grandes planos, tanto a fazer, tão poucas ferramentas.
Ela se foi, ela se foi, eu fiquei e o que fazer?

O que fazer com este sonho arregaçado?

Acender um baseado e ouvir Zappa
Estender roupas
Varrer chão

Minha cabeça se comporta como um computador,
calculando,
definindo,
decidindo,
apontando.

Fix it
Move it
Stop it
Play it
Kick it
Do it

Estado emergencial, protocolo: palhaço

Você já cancelou o seu palhaço hoje?

É impressionante,
a sensação de libertação é inevitável,
a luz atravessa a sombra e te leva com ela.

Mas você gostava da sombra…

e dói…

além do próprio desapontamento interno de não dar conta, não dar certo.

****

A juventude é uma bobagem tão boa de se cometer…


Às Margens da Personagem Central

Rebato teus monólogos
Te mostro a tua deixa
Vez em quando me enfio em tua marcação

(Decoro as tuas e as minhas falas
para deixá-la livre a improvisar
me atropelo cômico na resposta
dando-te tempo para respirar)

Ensaiamos exaustos
Decoramos o balé
Quase sempre erro, na mesma nota da pauta

(Queria a última palavra
mas proibiu-me a direção
ainda roubo teu papel
se te falha a atuação)

Adentramos ao espetáculo
fazendo a platéia rir e chorar
as palmas são um presente meu para ti

(Mas quando estiver no camarim
recebendo seu buquê
saiba que fecho as cortinas
aquelas que existem entre eu e você)


Meia-luz

A saudade anda perdida
A bruma da novidade permeia seu campo de visão

Tanto
que vez em quando dá um aperto no coração
e eu acho que é fome ou café demais

A razão já começa a desconhecer a falta
e a assombração de tantos sorrisos distantes
borra ao cortinado da memória

Na época em que os anos eram longos
como mãos cheias incontáveis
as peripécias das lembranças me tiravam o sono

Hoje há uma gaveta cheia delas
separadas por cor, classificadas com data
e infelizmente abertas espontânea e aleatoriamente

A biblioteconomia de si mesmo
é absolutamente bela em sua futilidade
lembrando apaixonadamente do superficial
esquecendo completamente do que faz funcionar

Sempre disse de mim mesmo
que a idéia era deixar acontecer
e todos estes novos planos
vem organizar minhas gavetas

separar por prioridade, classificar com data
as salvar da minha própria espontaneidade

Nossa biblioteca organizada
sopra um vento frio
que faz a saudade se perder

Na bruma da novidade que ofusca sua visão


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