Arquivo do mês: dezembro 2011

Cartão de Boas Festas

Às margens de 2012
Novamente na bolha que protege o eu espectador do eu ativo

Às margens da personagem central

Celebro a vida e todos os pequenos momentos que a construíram
das ondas sonoras que percebemos em algum momento no útero
aos acordes distorcidos deferidos pela guitarra mais alta que conseguimos reproduzir
e às vezes criar

coloco Nirvana novamente
num ritual talvez hoje mais esquecido que a agulha no vinil
o tal do cd na gaveta do velho system

Feliz rock ´n roll para mim também – diz Papai Noel
ao lado de Loki que anuncia o reveillon

O velho irmão e a velha estrada me aguardam
anos mais tarde
kilos mais gordos

almas preenchidas com o esmero mais cuidadoso das tecelãs de ilusão
navegando novamente para Neverland em busca de nossos meninos perdidos internos

E tudo isso me soa tão certo
nas reviravoltas de amizades, amores, cidades e estados de espírito
parece que todos sobreviveram
mesmo os que não

este sortudo que vive perdendo tudo
anda abençoado pela própria existência
no que talvez seja a fase mais plena de sua vida

Um feliz nós mesmos
para todos vocês

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Dos Bairros Boêmios

Já transmuto bairros em investidas etílicas
Trocando as cidades e os nomes das pessoas
Mulheres de par em par algumas meninas outras mães
Mulheres de belos, exóticos, esotéricos e franceses

pares que nunca formam um casal

Solto em referências perdidas
No embarafustamento amorfo de meus impulsos alcoólicos
resgato qualquer adolescência
nas benditas e malditas mesmas ruas onde ela passei

trôpego como um sagitariano filho de carnaval
triste como um libriano no enterro do pai
insano como um esquizofrênico numa convenção de quadrinhos

Poetas, músicos, dançarinos, cineastas, atores, fotógrafos e

designers
designers
designers

designados a desenhar qualquer rabisco caro

Sugerindo o fechamento da minha cartela
a procura pelo veneno dos becos
e a ida eufórica à pé pra casa
onde os dois gatos não me aguardam

Mas estão sempre na porta à me julgar


Blognovela – Adendo ao Capítulo 8

_Valeu Luís. – despede Tiago com um tapinha nas costas.

_Tchau Tiago, aparece aí amanhã!

_Pode deixar!

*

Carolina desce a rua e só então nota as chamadas não atendidas no celular que se encontrou no “silencioso” por toda a tarde de folga e segue para casa deixando Matheus às voltas com lembranças de seu novo amor que neste momento só consegue pensar nas conseqüências de assumir o cara de quem tanto ouviu a amiga esmiuçar defeitos e chorar as mágoas.

 

_Te contei que ela canta?

_Onze vezes Matheus! Agora me fala aqui, isso tudo é carência? – Pergunta Felipe que mal havia acabado de retornar do trabalho e Matheus já estava a encher seus ouvidos com elogios a uma tal Carolina.

_Carência? Acho que não, carência não dá este frio na barriga todo. – Ri.

_Frio na barriga?! Meu deus do céu! Carência não causa “adolescência póstuma” mesmo não! – Gargalha o amigo.

_Será que eu fui capaz de me apaixonar tão rápido?

_Vai com calma Tetê, você só está com a “síndrome do novo solteiro”, vai passar.

_Não me chama de Tetê cacete! Como é que é? Síndrome do novo solteiro? – Ri Matheus.

_É, ela acontece em três etapas, na primeira você fica extremamente carente e começa a se apaixonar por qualquer moça simpática que conhece.

_E as outras duas etapas?

_Tem a segunda que é de recaída pela ex-mulher e finalmente a terceira que compreende na aceitação do título de devasso.

_Posso pular as duas primeiras e cair logo na devassidão?

_Você que me diga meu amigo, você que me diga… – Diz Felipe em tom altivo.

 

*

 

Ele acabou ligando mais tarde, Morgana sabia bem que eles sempre ligavam. Motivado pelo desconhecimento de tais curvas que diziam por aí serem o melhor “passeio” do mercado. A idéia de concretizar essa aproximação já era antiga, sempre paciente, esperando sua hora de agir. Um lobo mau da estirpe de Marcus nunca falharia frente à tão concorrida chapeuzinho-vermelho.

Ele  ligou, a buscou onde estava e a levou para o bar mais bonito das bebidas mais finas com as comidas mais interessantes da cidade, caprichou bastante no uso da cartilha dos galanteadores bem-sucedidos, mal sabia que era Morgana quem escolhia suas “presas” e no momento em que ela disse: “me liga” o sexo no final da noite já estava implícito.

 

_Você é uma figura mesmo, tão bom sair contigo e ter esse papo agradável, estava mesmo com saudades de você! – Diz Marcus.

_Eu também Marquito, agora vamos resolver  “esse nosso assunto” que eu sei que está ficando tarde e você precisa trabalhar amanhã cedo, na minha casa ou na sua?

_Motel?

 

Fim do Capítulo 8


Aedes

A trilha libertina traçada começa a empenar
Como acontece por Dezembro
O final do ano propõe urgências financeiras
Impossíveis para nós portadores de doenças cirenaicas

(Apesar de não acreditar no êxtase como ausência e sim muito pelo contrário)

Preenchimento!

Tanta informação que nossa máquina não consegue calcular
e interpreta como ausência, algo como no disco de Newton

Infelizmente conheço bem o caminho para o preenchimento
e quantas personalidades foram distorcidas
quantas virtudes deturpadas
quantas pobres e ricas almas perdidas

A busca pelo preenchimento e o vício
(Também muito pouco interpretado e jogado ao lado do vazio)
Picadas siamesas da mesma floresta encantada
na mesma montanha mágica

Mas sobre o empenamento,
antes que volte a matraquear aleatoriamente

Ele existe,
pendendo para um lado da vida humanamente harmonioso

demais…

 

 

 


A madrugada, a banda inglesa e a misantropia

Caminhei uma hora do trabalho até em casa
Escutei um disco inteiro
Perdi a conta de quantos “obrigados” recebi do mendigo por causa de 2 cigarros e meia lata de cerveja.
Prato de comida que é bom, ninguém dá.
Acredito no código de ética oculto entre os transeuntes da madrugada
Depois das duas da manhã existem 4 pilares que sustentam a vontade do indivíduo

1-Sexo

Seja por fazê-lo, pela possibilidade de vir a fazê-lo e muitas vezes por apenas fantasiá-lo.

2-Drogas

Por usá-las, procurá-las ou apenas obtê-las constantemente para fazer coleção ou usar como moeda de troca como já testemunhei vários amigos caretas (mesmo!) fazendo.

3-Rock ´n Roll

Seja ele pagode, axé, sertanejo ou psy-trance. Te mantém ligado? Tá bom.

e finalmente a firme, sensata e obstinada missão de

4-Chegar em casa!

Quando se está imerso em tais hábitos noturnos a palavra misantropia se torna mais um termo vago
O que eles chamam de misantropia eu gosto de pensar como “currusphobia”, digamos que todo mundo que é obrigado a se curvar ao horário de uma maioria mecânica acaba nutrindo em si uma certa aversão a democracia como é tida por definição o que sim; acaba por os tornar misantropos. Apesar do que o simples formato de “ter um horário” já faz com que esta alma esteja perdida.

Hoje, eu que recusei o sexo, as drogas e trabalhei com o rock ´n roll a noite toda, só queria me agarrar firme naquele quarto pilar às três e meia da manhã de quarta-feira.

Pensei que se esperasse o primeiro ônibus passar ou o metrô abrir daria o mesmo tempo que ia gastar à pé. Pus então aquele disco que eu tinha baixado mas estava enrolando para escutar nos fones havia tempos.

“Ok disco, você tem uma hora e três cervejas para me convencer de que você é bom mesmo!”

É quase a mesma coisa que se pensa quando a gente sabe que vai se apaixonar mas ainda resiste a isso.

E foi assim que aquele disco me levou para casa, num balé na madrugada, sem mais ninguém nas calçadas da megalópole.


Cretináceo

o nublado da manhã combina bem com o café e cigarro que preparei

A névoa cobre a ponta do viaduto
dando a impressão que os carros vem de outra dimensão
uma dimensão com mais tempo
a dimensão de suas casas talvez

Da montanha já preparo para me misturar com os outros selvagens
nos estapeando pelos vales em busca da ração diária

Depois de tanto tempo parado
acordei cedo para encarar este dia do começo ao fim
Nunca queremos trabalhar quando estamos trabalhando
e nunca queremos parar se não estamos ganhando

A matemática da cidade é friamente simples
Se com ela não concordasse não habitaria uma de suas cavernas

O café acaba e pego minha clava
Marco mais uma gravura bizarra na parede
máquinas cuspidoras de fogo cruzando as pradarias
anunciando em suas trombetas monotônicas o caos da terça-feira

Tudo isso antes de sair à caça de mais um almoço
com sonhos loucos da descoberta da agricultura

Como se ainda houvesse algo a ser salvo


Blognovela Capítulo 8 – Universos Oscilantes

Fazia frio na cidade e a chuva e o vento fizeram com que Lulu baixasse um pouco as portas que iam para fora do pub.

O barulho da máquina de café quase fez com que ele não escutasse as batidas insistentes na porta de ferro.

 

_Pode entrar, estamos abertos! – Gritou Luís para fora

 

Por debaixo da porta, aos tropeços passa Tiago completamente encharcado, Luís corre para acudi-lo.

 

_Tem um uniforme de garçom aqui para você usar, vou colocar suas roupas atrás da geladeira.

_Ôh Lulu, obrigado!

 

Mesmo com a roupa nova Tiago ainda bate o queixo e Luís o prepara um Irish Coffee por conta da casa.

 

_Humm! – Exclama Tiago degustando seu drink.

_Gostou? Esse é especial, é o mesmo que preparo para mim, com duas doses de uísque, assim depois da vaporização ainda sobra álcool. – Ri Luís.

_Excelente!

_Açúcar mascavo é o segredo, mas o que você estava fazendo na chuva garoto?!

_Na verdade estava aqui perto e vim ver se encontrava a Carol.

 

Por um breve instante Luís contrai as sobrancelhas,

 

_Infelizmente você perdeu a viagem. A Carol está de folga, ontem e hoje.

 

O amigo olha para baixo descontente.

 

_É Lulu, acho que as coisas estão esfriando… – Diz cabisbaixo.

 

Luís vira os olhos para cima e respira fundo para conversar com Tiago.

 

_Tiago, você está com quantos anos?

_Ah Luís, não começa com essa que a Carolina é mais nova que eu!

_Se você acha que eu vou “começar alguma coisa” é por que você já tem idéia do que vou dizer, não é mesmo?

 

Diz Luís com um olhar experiente para o jovem amigo.

Tiago olha torto para o lado e responde.

 

_Vinte e três.

_Então já era hora de você entender sobre o universo das pessoas. – Diz enfático.

_Quê?!

 

Luís sai de trás do balcão e fecha as portas completamente, ninguém ia entrar ali com aquela tempestade lá fora. Depois volta e se serve de uma dose de cachaça.

 

_Vai? – Pergunta Lulu esticando a garrafa.

_Claro! – Concorda Tiago.

Lulu então põe dois copos lagoinha no balcão e os enche até a metade.

 

_O universo das pessoas Tiago, quer um exemplo prático?

_Estou escutando. – Diz o amigo enquanto dá um trago da boa cachaça mineira.

_Você tem vinte e três anos, mora com os pais, e faz… O que você faz mesmo?

_Administração de empresas.

_Administração! Você usa drogas?

 

Tiago se surpreende.

 

_Como assim Luís?! Ta me tirando?

_Não, tô falando sério.

_Você sabe que não!

 

Luís dá um suspiro.

 

_Então você toma cachaça, mas não usa drogas, você toma cerveja, mas não fuma um baseado correto?

 

Tiago ainda não compreendia onde Luís queria chegar.

 

_Sim, mas o que isso tem a ver com o universo das pessoas?

_Calma que eu chego lá, vamos traçar perfis primeiro. Você perdeu a irmã mais velha aos…

_Nove anos de idade. – Diz Tiago dando um largo gole, Luís completa a cachaça dos copos e continua.

_Nove anos de idade, seu pai eu conheço, trabalhei para ele, foi assim que nos conhecemos lembra?

_Sim.

_Então você é um cara bem criado, com berço e valores de uma família economicamente ativa e socialmente produtiva certo?

_Acho que sim.

_Seus pais são casados até hoje?

_Sim.

_Eles fazem sexo?

_O que?! Sei lá Luís, isso é irrelevante!

_Não é não.

_É sim! O que a vida sexual dos meus pais interfere na minha vida pessoal?

_Na própria improbabilidade da sua existência. O que estou querendo dizer Tiago, é que você não pertence ao universo de uma garota que saiu do sul do Brasil aos quatorze anos com uma mão na frente e outra atrás para se lançar numa carreira incerta de vocalista de banda de rock porque estava fugindo de uma doutrina familiar que ao invés de abraçá-la a sufocava. – Diz Luís o olhando no fundo dos olhos, e completa. – A estrada que a Carolina trilhou nos últimos anos é muito diferente da sua entende?

 

Tiago fica mudo enquanto Luís vira o resto da cachaça, ele ainda não havia completado o raciocínio.

 

_A Carolina é uma garota um ano mais nova que você sim, mas ela pertence a um universo que não compartilha dos seus valores cara! Desculpa te dizer isso assim, mas é que sei que você não vai agüentar esse rojão. – Diz o amigo mais velho.

 

Tiago vira seu copo de aguardente, faz uma careta e o coloca sobre o balcão.

 

_Acho que forcei a barra quando chamei ela para o aniversário de morte da minha irmã. – Confessa.

_Você acha?! Porquê não me chamou? Ao menos eu a conheci, conheço sua mãe…

_Tem razão, sei lá, tava carente.

_Meninas do universo da Carol, meu amigo… Já tem que lidar com a própria carência.

 

*

Matheus saía da reunião com Fábio, estava um pouco frustrado, ou ele trabalhava como mídia social durante o festival ou participava como inscrito com sua banda e como sempre em sua vida, o lado artístico falou mais alto que o financeiro, seu bolso no entanto parecia arrependido.

 

“Sem grana para os cigarros, céus, o que vou fazer?”

 

Ele conta as unidades de seu maço, puxa um dos últimos cinco e pede um isqueiro emprestado na cafeteria, depois senta cabisbaixo no banco da praça.

Pensa que deveria estar mais preocupado.

É quando um sorriso inicialmente inocente começa a brotar no canto de seu rosto, uma sensação de baixa gravidade se aplica na boca do estômago e o cérebro começa a gerar imagens consecutivas e variadas de partes dela até que ele se sente desconfortável.

 

“Controle-se homem! Você não pode, não deve, não agora!” – Pensa antes de se recompor e iniciar o caminho a pé de volta para casa…

…e ela liga.

 

_Hoje é minha folga, quer me ver mais tarde?

_Aonde?

_Anota aí.

 

 

 

*

 

_Morgana mi hija, quién era o rapaz que me dió buenas tardes en la garaje? – Pergunta a espanhola em ar bastante sério.

_Ai mamá, aquele era o Eros, ele não é lindo? O nome dele não é sugestivo?! – Diz Morgana irônica já antecipando o discurso da mãe.

_Morgana, mi casa no és Motel! – Impõe a mãe brava.

 

Morgana ri sonoramente e com um olhar de desdém responde a mãe;

 

_Ah, não é mais não, é? Ou você só está recalcada por que eu estou aqui e agora você não pode mais fazer suas orgias de mulheres, cocaína e champagne. – Fala Morgana com olhos nos olhos. – Mas não se importa comigo não, fica à vontade…

…A casa é sua! – E gargalha enquanto segue em direção ao quarto.

_És lunes Morgana vaya-te arrumar um emprego!

 

Dizendo isso Doña Adalina se serve de uma dose dupla de uísque e também se dirige ao próprio quarto quando uma buzina toca.

 

_Deve ser o Marcus. – Diz Morgana enquanto volta procurando a bolsa.

 

Doña Adalina reconhece o carro pela janela.

 

_Marcus? Marcus Oliveira? – Pergunta surpresa.

_É mãe, eu encontrei ele hoje no escritório quando fui lá para a gente almoçar lembra? Eu disse que ia encontrar uma amiga no Shopping e ele falou que ia para aqueles lados mais tarde para um jantar num hotel, uma coisa assim. Ele vai me dar uma carona.

 

Adalina dá um sorriso de orelha a orelha.

 

_Sy mi hija, divirta-se!

_Tchau!

 

Morgana pega a bolsa, atravessa o quintal e abre o portão, Marcus abre a porta por dentro.

 

_Oi Marquinho.

_Oi Morgana, tudo bem?

_Tudo jóia, jura que não é aluguel você passar aqui depois do escritório?

_Imagina, é só pegar a tua rua ao invés da Avenida, o resto é super caminho. – Diz Marcus manobrando.

_E você hein garoto? Faz tanto tempo que eu não te vejo.

_Eu também, ta toda gatona, soube que separou do Matheus.

_É, separamos. – Diz Morgana com um suspiro.

_E você, como é que você ta?

_Tô vivendo Marquito, vivendo minha vida, na verdade acho que tirando férias dela!

_Casinha da mamãe, comida e roupa lavada?

_Casa de mamãe, mesadinha de mamãe, comidas finas, roupas novas e limpas e champagne meu caro amigo! Aquela senhora sabe viver, isso lá é verdade!

_É, e ela corta um dobrado para manter esse padrão se você quer saber. Como é que vocês duas estão?

_Pode fumar no teu carro?

_Pode, só toma cuidado com o banco.

_Hum, banco de couro, terno da Dior, óculos escuros Armani, tu ta ganhando bem hein filhão! – Debocha Morgana.

_Muda de assunto não Morgs. Como vocês duas estão?

_A gente tem se dado bem fora “relâmpagos e trovoadas isoladas no final da tarde.”

_Vocês duas são duas hipócritas se você quer saber, duas porras-loucas que não se aceitam e ficam fazendo “picuinha” uma com a outra! Pronto, falei!

_Falou bem falado meu caro Marquito, falou bem falado. Mas é o que é, se não o fosse não o seria igualmente divertido, não é mesmo?

_Adoro seu senso de humor Morgana, faz meus dentes rasparem uns nos outros de aflição. – Ri Marcus.

 

Morgana também ri.

 

_Chegamos. – Diz ele.

_Obrigada Marcus, foi muito agradável encontrá-lo como sempre.

 

Eles se estudam por meio segundo após ela sair do carro.

 

_Morgana, eu vou a esse jantar e depois estava pensando em tomar uma saideira antes de ir pra casa, você vai estar por aqui mais tarde?

 

Ela ri.

 

_Não sei, me liga!

 

*

 

O ventilador de teto gira lento fazendo uma brisa perceptível apenas aos pêlos mais leves e ela pode sentir seus dedos deslizando suavemente em suas costas.

Carolina tenta contar as voltas que o desenho do tapete dá para não pensar no quanto aquele tempo parado, dentro daquele quarto era semelhante à felicidade plena.

Matheus olhava para a nova teia de aranha na quina do quarto e já parecia conformado com sua nova paixão, ele a abraça de uma maneira que ela sabe, com um sorriso enorme no rosto – a vida não ia ser simples como vinha sendo.

_Você tem uma cicatriz embaixo da tatuagem? – Pergunta Matheus ao deslizar seus dedos com mais cuidado pela coluna.

_É por isso que a tatuagem está aí.

_Sim, é linda ela. O Yggdrasil seco.

Carolina se supreende e levanta.

_Você sabe o que é o Yggdrasil?! Eu te adoro garoto! – E o cobre de beijos.

 

*

 

_Ela também não está atendendo o celular. – Diz desapontado.

_Relaxa Tiago, o melhor que você tem a fazer é conversar com ela depois com calma e estabelecer essa relação de vocês.

_A chuva deu um descanso, você devia abrir o bar.

_Ai segunda-feira maldita, não sei por que o Marcus inventou de abrir na segunda, nunca aparece ninguém. – Diz Luís enquanto abre as portas de ferro para uma calçada vazia.

_Valeu Luís. – despede Tiago com um tapinha nas costas.

_Tchau Tiago, aparece aí amanhã!

_Pode deixar!


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