Arquivo do mês: março 2012

Solo

Passos firmes de um homem incompleto

melancolia química que se instala com cheiro de ontem

(palavras fortes de um homem estranho)

“…ôh meu amorzinho, deixa que eu abro esse mar pra você…”

(histórias duvidosas de mulheres ocultas)

meu cajado não consola ninguém
os lados da cama estão livres para rolar
o segundo travesseiro implora por liberdade

posso escutá-lo gritando dentro do armário

reduzo a marcha
o álcool
a droga
mas se mexer no meu tabaco dou-lhe uma surra abstêmica

aguardo feriados
guardo as pontas pro futuro
acerto contas com o passado

logo eu que isso nunca faço

e teclam esses dedos incessantes
todos desconfiados daquele colega
que anda querendo um anel

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Nicodivitina

Há o resto do dinheiro na estante
No engavetamento inconsequente de dias e noites

Faltou aquela amiga
Que vez em quando sai da camuflagem do sofá
para dizer:
“Está tudo errado.”
e voltar a dormir

Faltou aquele amigo
Que vez em quando seleciona uma música
e vai até a geladeira dizer
que acabou a cerveja

Faltou aquele vinho gostoso que combinamos de tomar
No dia em que a gente ia fazer aquela comida
e parece que os cigarros se multiplicam
o louco dança entre eles berrando:
“Graças à Deus!”

invejo
amaldiçoo

quem faz samba e amor até mais tarde

Pois meu sono de manhã
é uma falência de órgãos internos
é morte cerebral

Dois goles
três tragos
nada me preenche
nada me completa
nada me consola

a garoa mostra que o verão acabou
ri da minha cara
e o outono com todos aqueles dentes amarelos à mostra
sorri cínico
me chamando de velho amigo
me dando um bom dia de escorrer o nariz

entrou, sentou no sofá
escolheu o canal da televisão

deixou o chiado cinza do ruído branco
e riu mais uma vez
enaltecendo a minha culpa

Caralho mulher,

olha o tamanho da falta que você tá fazendo!


Homem da Areia

No canto esquerdo da minha mente
um garoto solitário toca um banjo triste a beira de um rio

Talvez por ali também flutue e descanse
aquele que lutou contra o deslocamento da realidade
logo no início da adolescência

“Há quanto tempo estou dormindo?”

Tenho memórias despertas vívidas

“Não deve ter tanto tempo.”

Nestas madrugadas

onde os sonhos de menino
e as canções românticas

compartilham minha esperançosa solidão


Morfeu

lacrimejo

apoio externo

crítica externa

ando…

Mesmo domingo há gente

Está de noite ainda ou já está de noite?

frequências, vibração, ondas, um papo por demais hippie

matemático

como são todos os papos…

áudio, som e arte

para quê?

Para onde?

preciso dormir


Abusos

Fiz teus olhos verdes tão bonitos
Chorarem tão aflitos
Tantas vez que eu nem sei

Teu coraçãozinho de menina
Bati com cocaína
e em surto o inalei

Desfilei com toda a sua juventude
meu mais belo e gostoso artefato
me pergunto como pude,
como pude?!

Já me corta se te consola
e me rasga muito mais se indifere

No teu colo pus meus ovos
Ri do meu veneno asqueroso à te consumir

Atirei-a a mais terrível das matilhas
me diverti com a briga
sem pedir perdão

Usei teu lindo corpo em fantasias
refestelei-me em tiras
da tua decoração

e te via tão mais bela ao chorar
assistindo os lábios grossos à inchar
Me pergunto como pude,
como pude?!

esperei tanto teu ódio
e você só retornou com mais carinho
nada nunca me faltou
mas os meus excessos

vícios fortes demais

para se abandonar


Ruído

 

Sei, é de verdade necessário na textura e intenção, mas nuances de freqüência quadrada (ou mesmo triangular) são extremamente difíceis de lidar e exigem conhecimento de quem opera.

Distorção não é para os fracos ou ingrediente para experimentalismo de conhecimento raso.

Graças aos comedidos nela o bom gosto ainda (e também) reside

*Um post subjetivo de meias palavras para bons entededores


Delas

Elas gostam de bicicletas,

livros e gatos

e francês

 

Elas sempre foram assim

Com seu ódio mimetizado em ternura,

com sua maquiagem fácil clássica,

seus jeans,

tênis e botas

 

Saias e vestidos

 

Elas compartilham o que detestam umas nas outras

Compartilham seu amor e ódio por mim

 

Elas acordam de manhã

e choram a própria competência

 

Elas entram em parafuso

Elas entram em lingeries

e elas gozam

Graças à Deus elas gozam!

 

Pegam pelo pé

Fumam até o filtro

Gritam pelo olhar

 

Eu…

…sou apenas um pobre homem abençoado!


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