Arquivo do mês: julho 2012

Tira Dentes

Mineiras picaretas esburacaram o caminho
de modo que o trem da minha vida
não pudesse mais passar

Escura e funda a mina
que jamais viria
novamente iluminar

Do imenso, frio e dolorido buraco
extraí a dor necessária
todas as penas para um cafeeiro cocar

Mas de novo na jovem cidade centenária
entregue a seus bares, crises e abraços
venho em redenção me anestesiar

Mineiras picaretas por ofício
afastam-me o dentifrício
com o qual nunca mais pude contar

e tratando meu canal
das falhas vias que impulsionam a nau
obturo-me em mais este bar

Desta vez café com colo
nos fortes seios que me escoram
sinto a velha e constante loucura

lentamente

me abandonar

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Sem Mais

Em terra de Souza Cruz quem tem Marlboro é viciado

Repetindo tal mantra eu vagava pelas ruas da capital
das Gerais

Não só na idade mas na altura da vida
de sentir-se em plena autonomia
de não mais se permitir ser insultado
de garras para fora esfomeado
cabeça, corpo, alma
lavados
enxagüados e enxutos
brilhoso e altivo

nada mais

Não mais assolado por sentimentos abusivos
ou arrependimentos gastos
Não mais ferido de maneira infantilóide
Não mais esmorecido por qualquer covardia que a tristeza ainda me guardasse
Trazia na bolsa a cabeça da Medusa
e tinha todo o direito de me sentir Perseu
herói de mim mesmo finalmente sou
Aleluia!

nada mais

e o que estes cães todos querem
é o que trago na ponta da língua
é o que tenho cá em meus braços
é o que demorei pra ganhar
e o que eu ganho é o que eu batalho por
numa luta por demais contínua
logo brado com meu peito à mostra
que o que eu tenho é o que eu mereço e

nada mais


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