Arquivo do mês: novembro 2012

Ciúme

Teu demônio nunca mais me visitou

e o meu, anda saciado de forma horripilante

Entre fadas e duendes da mitologia amorosa
nos descobrimos

esses fofos sacos de carne mágica

Tomara que saia um pé de feijão

do meu cu!

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Dias Altmanianos

Dizem que na periferia o que mais cai em pé e corre deitado

é o presunto tostado no pneu

Até a poesia da chuva depende de ponto de vista

Hoje desci para o trabalho pela estrada

observando o padrão das gotas nas poças de lama no caminho

a mata molhada agradecida

o pio dos filhotes no ninho

a bruma grossa no alto da serra

Pensar que há menos de seis meses atrás

meu caminho para o trabalho tal como o tempo para chegar no mesmo

dependia da sanguinolência do metrô paulistano

O minhocão como guarda-chuva

o corte de caminho pelo Largo do Arouche para pegar a linha amarela direto

se tornam um pesadelo distante

Ontem colhi amoras do quintal para o café da manhã

contemplei o silêncio matinal

passei iodo no arranhão que arrumei no pé

e pensei em arrumar um cachorro

 

são de fato

 

dias diferentes


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