Arquivo do mês: janeiro 2013

Meu

Odeia
os dedos, suspiros

Odeia os ventres invadidos

Sobe o rubor de tal alma inflamada
por todo este suor alheio

e vincos
e fendas
e fluidos
e trocas

Murmúrios, bordas e dobras

Que dilatam tuas veias
Que te encolhem as vísceras

Trancando o pescoço
queimando o alimento

Derramas o resto
do que já não lhe entra

Em todo o furor impiedoso
da náusea de tua febre

Odeia a todos estes homens e mulheres
por todo o eterno que quiseres

Não vai redimir
Não vai resolver
Não vai apagar

Odeia

que é muito melhor

que esquecer e morrer

 

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Derby Vermelho

Janeiros muitas vezes em alguns de seus dias possuem cheiro de Agosto
A mão quer fechar e a jugular incha

Coisas num maço de Derby vermelho

Mesmo eu não sendo dentista
o cara ri pra mim,
me dá uma bebida,
que saudade dos vinte e poucos,
já seria o suficiente…

Quando a bandeira branca ganha tons de vermelho é fato – você deve se retirar.

Fui pelas velhas e conhecidas ruas
em silêncio
se eu não quiser
a confusão não me procura
fumando meu Derby

vermelho

Com o gosto na boca
que só conhece os velhos ratos de esgoto
saudades dos meus próprios canos
por um breve momento

O antigo indivíduo ressentido
de uma dor que achei não sentir mais

Quem somos nós para estragar a festa?
Hoje em dia peço a conta mais cedo
Prendo-me firme e redimido

No que ainda resta


Frases Soltas de Diários Velhos

“Ah, nossas naus!
Estupros caravelados de metros de altura que invadem as praias e nos tiram terras virgens.”

“Aí eu abro uma cerveja e espero o meu barranco.”

“Ter coisas na cabeça é sobre isso mesmo; questionar e enlouquecer.”

“Se você não vai mudar para me fazer feliz, porque diabos me criei estas arestas para te satisfazer?”

“Não há nada lindo na perseguição vampírica do belo.”

“Lá menor, Dó “floriado” e pau na máquina, quer dizer, no lixo!”

“Temo
Que aquele velho K7 que você me gravou
Não toca neste novo aparelho”

“Os dias tem sido como o início de um pesadelo, ainda é um sonho, mas não dá para ter certeza.”

“Só queria mesmo morder o rabo do meu mundo e vê-lo sangrar.”

“Amo tanto esses sonhos perfeitos travestidos de confusão eterna.”


Janeiro

A vida inteira passa por meus olhos
Em “post-it´s” com endereços senhas e telefones
Em “posts” com datas e horários
e “ratings”

Números do que fomos, somos e seremos
Trazendo um tipo de ludicidade subvertida
Ao espaço-tempo fragmentado do que agora são nossos dias

Parentes e amigos em códigos de área diferentes
Mãe e irmãos em DDD, alguns em DDI
Perfis do abandono no browser
Fotografias dos nossos outrora queridos
Abandonados como frutas cuspidas

que apodrecem em outros “time-lines”

Cortes de cabelo e barba
Roupas velhas e novas
Festas de vários estados

Cachaça de alguns sertões
Espumantes de outras encarnações
A cerveja nossa de cada dia nos dai hoje e…

…não nos deixei cair em “alt.com”

Uns fazem 15
Outros 18
Alguns 30
Outros 365 dias
de ausência

Nós vamos e voltamos
mas a praia não sente a nossa falta


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