Arquivo do mês: julho 2013

Ressaca

Me rompe o sono da madrugada este ladrar de amores equivocados

Lapsos temporais irrecorríveis ao desbotado nítido do arrependimento

Senhoras e senhores, se esta laceração há muito cristalizada de plaquetas

banhada sutilmente ao longo do tempo por camadas anuais de tecido fibroso

ainda se pode chamar de ferida

haveremos aqui de refazer toda a nossa medicina

Não, não é o caso

Pois o que aí está nem de cicatriz se pode mais chamar

Nada disso a não ser a grossa camada córnea,

pronta a novos rasgos

de fato me pertence

Não é meu o encontrão na quina de concreto que insistem em chamar de amor

Não é minha a angústia labiríntica que dão a alcunha de arrependimento

Nem tampouco o despreparo em consolar o próprio coração que lhes come por dentro qualquer sensatez ou alívio

Toda lâmina que ergui encontrou sua redenção em algum sangue

e agora suas bainhas as descansam lavadas no armário

Se foi algo que fiz com ciência e ainda o faço com ternura é amar

Mas as bússolas possuem um norte apenas!

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